segunda-feira, março 30

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O desafio do presente
O isolamento ao longo dos anos de decadência econômica contribuiu para a conservação das casas, que embora tenham sofrido alterações em seus interiores, preservam ainda os detalhes de arquitetura daquela período, dando-nos a sensação de voltar no tempo, como que passeando por uma das aquarelas do pintor francês, cujo principal feito foi retratar o Brasil-Colônia fora dos domínios da corte, em exposição fiel de uma sociedade em formação.
O crescimento populacional, inevitável em cidades situadas no eixo Rio-São Paulo, é fator de grande preocupação para
conservacionistas e ecologistas e constitui equações de difícil solução:
Como preservar os tesouros do passado sob o inexorável ritmo da evolução imposta pelos interesses dos dias atuais?
Como prosperar sem ceder à especulação imobiliária que assola morros e cachoeiras, áreas valorizadas pela alta e crescente procura por parte de investidores ávidos por lucro fácil, ainda que a custos impagáveis ao meio-ambiente?
Como permitir a evolução do turismo sem a perda da identidade cultural de um povo cujas raízes remontam aos tempos em que Debret caminhava pelas ruas de Paraty?
Como, enfim, criar o futuro, sem destruir o passado, material e imaterial, de uma região que, por estar ao nível do mar, enfrenta dificuldades maiores ainda que outras semelhantes, principalmente no que tange ao saneamento básico e de conservação de áreas de mananciais e estuários?
Todas estas questões apontam numa direção: A organização da sociedade civil em células que façam valer os seus direitos, bem como o das gerações futuras, responsáveis pelo patrimônio e detentores naturais dos direitos sobre a exploração turística e natural.
Paraty é uma das cidades beneficiadas pelos royalties advindos da exploração do maior campo petrolífero brasileiro , o Campo de Tupi, que se estende da Bacia de Santos/SP, até o Estado do Espírito Santo.
Além do petróleo, a cidade está localizada na Baía da Ilha Grande, na qual se localizam as Usinas Nucleares Angra I e II, que já pagam royalties à cidade, e já se benificia da construção de Angra III, ou seja, recursos não faltam para que haja serviços de qualidade à população e aos turistas de todo o mundo que incluem Paraty em seus roteiros de viagem.
É fundamental, portanto, que tomemos pulso do processo e façamos nossa parte, para que não percamos por omissão, algo que nem em séculos poderíamos repor:
O delicado equilibrio da natureza e um patrimônio de valor histórico incomparável.
Foto e texto José Antonio Lima


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